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  • Gabriel Barbosa

Discord e Epic entram na briga com Valve



A Steam domina o mercado de jogos digitais para computadores e sempre liderou com folga. Mesmo com a criação de outras lojas, nada chegava perto da Steam. Isso fez com que a Valve entrasse numa zona de conforto, deixando sua ferramenta ser cada vez mais controlada pela comunidade e ter um funcionamento mais automatizado. Há alguns anos atrás, um estúdio independente conseguir lançar seu jogo no Steam era um marco. Com a explosão dos jogos indies, a Steam lançou o Greenlight para facilitar a entrada de jogos indies com potencial. Isso acabou beneficiando jogos mais populares e não necessariamente jogos bons. Atualmente qualquer um pode ter seu jogo publicado na Steam, mediante a uma taxa de 100 dólares. Algo similar acontece na Google Play e Apple Store. Não existe uma curadoria, jogos com baixa qualidade conseguem entrar facilmente na plataforma. Com esse inflacionamento de jogos, games de qualidade acabaram perdendo destaque e fica cada vez mais difícil se firmar como um estúdio independente, principalmente para estúdios novos. Não existia algo que indicasse que isso mudaria. Até que a Epic e o Discord resolveram entrar na jogada.


A Epic é criadora da Unreal Engine e também do jogo mais famoso no momento, Fortnite. Não existe empresa em posição melhor para iniciar essa jogada do que ela. O momento é excelente para Epic criar a sua loja. A Steam existe desde 2003 e ganhou enorme popularidade quando Team Fortress 2 ficou gratuito. O que levou muita gente nova pra plataforma. Pra jogar, você precisa instalar o Steam. Toda vez que você entra, você vê os jogos em destaque. Uma coisa acaba levando a outra. E agora a Epic faz o mesmo. Pra jogar Fortnite no PC, você precisa entrar na Epic Store. Potencial de milhões de consumidores entrando na sua loja todo dia. Mesmo com essa condição favorável, a Epic sabe que a Valve domina o mercado com a Steam. Então, sua outra jogada foi dar um percentual maior nas vendas dos jogos para as distribuidoras. O padrão de mercado é a loja ficar com 30% das vendas e as distribuidoras ficarem com 70. A Epic vai trabalhar com uma fatia de 88/12. 88% para as distribuidoras e 12% pra eles. E ainda se o jogo for feito na Unreal, vai abrir mão dos 5% de royalties. O desenvolvedor só tem a ganhar com isso. Com essa jogada, a Epic pode conseguir exclusividade de alguns jogos, já que acaba sendo mais vantajoso pro desenvolvedor publicar lá do que na Steam. Isso pelo menos se levarmos em conta só o percentual dos ganhos. A Steam já tem uma base instalada, a maioria não vai querer abrir mão disso. Por outro lado, na loja da Epic o seu jogo pode acabar recebendo muito mais destaque, principalmente se ele for exclusivo da loja, já que vai competir com muito menos jogos.


E outra empresa que entra na briga é o Discord. Aplicativo de voz e troca de mensagens, já possui sua loja e agora oferece 90% dos ganhos para os desenvolvedores. O Discord usa uma estratégia parecida, já possui uma base gigante que utiliza o aplicativo, e agora toda essa galera vai passar pela sua loja também. Isso acaba dando muito destaque pra um jogo publicado por lá.


Com dois nomes de peso entrando na briga, a Valve precisa se mexer e sair da sua zona de conforto. Uma coisa que leva muita gente pra loja são os próprios jogos. Podem esperar uma briga por exclusividade nos próximos meses ou anos. CS: GO já ficou gratuito e com introdução de um modo Battle Royale. A Valve também lançou recentemente Artifact, jogo de cartas gratuito. O que eles precisam fazer agora é dar o que os fãs já vem a anos pedindo. Half-Life 3. Isso seria a chacoalhada que o mercado precisa.

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